141. Sejamos todos feministas

Chimamanda Hgozi Adichie, 63p.

Tenho certeza que este “livreto” caiu em minhas mãos para eu conhecer a autora e me empolgar em ler suas obras como AmericanahHibisco roxo. Logo vou começar a procurá-los, pois ela é sensacional e neles, apesar do romance, há um retrato original da Nigéria atual, assunto que me interessa.

Na obra deste desafio, ela aborda o feminismo de forma muito bem-humorada e colocada, esclarecendo que ser feminista não quer dizer que não se quer casar ou não ser cortejada; mas sim ser reconhecida por sua inteligência, criatividade e capacidade inovadora, características presentes tanto nos homens quanto nas mulheres e, por causa delas, e não da força física, que podemos ocupar as mesmas posições na sociedade com os mesmos ganhos, recompensas e reconhecimentos.

Concordo quando ela diz que perdemos muito tempo ensinando as meninas a se preocuparem com o que os meninos pensam delas e que o oposto não acontece; além disso, as meninas é dito não serem duras e, elogia-se ou perdoa-se os meninos pela mesma razão.

E eu ainda cito os inúmeros contos de fadas onde as princesas, super frágeis e sempre em perigo, precisam sempre que surja o seu salvador, aquele príncipe insosso (normalmente coadjuvante da história) cheio de palavras pré-fabricadas, que as salvam das desgraças e passam a comandar o “felizes para sempre” – como diria um amigo meu: Helloooooooooooooooooooooooooooooo!!

Definitivamente vamos evoluir socialmente e parar de colocar mitos nas cabeças de seja qual gênero for?

Que a princesa encontre sim seu príncipe, aquele que queira dividir e compartilhar, e que os príncipes encontrem suas princesas, com a consciência de que elas são sim frágeis, mas também inteligentes, criativas, divertidas, companheiras, perspicazes, com amor-próprio, e capazes de auxiliar nas decisões.

“Ensinamos que, nos relacionamentos, é a mulher quem deve abrir mão das coisas. Criamos nossas filhas para enxergar as outras mulheres como rivais da atenção masculina.”

Uma verdade tão ridícula. Já notaram quantas mulheres ficam se esperneando pelo mesmo homem? Muitas vezes por puro capricho. Quantas vezes uma odeia a outra por causa de um babaca qualquer? Por que nós sempre queremos estar lindas? Para os homens? Mentira… para rivalizar com as outras mulheres; os homens nem ligam para um monte de coisas que alegamos fazer em função deles. Que tal canalizarmos tanta energia para mudar os paradigmas e sermos mais respeitosas conosco mesmas?

Mas, retornando a obra…….

Vontade de copiar o livro todo aqui. Então vamos a alguns trechos:feministas

“Quanto mais duro um homem acha que deve ser, mais fraco será seu ego. E criamos as meninas de uma maneira bastante perniciosa, porque as ensinamos a cuidar do ego frágil do sexo masculino.”

Ensinamos as meninas que elas não podem agir como seres sexuais, do modo como agem os meninos. Nós policiamos nossas meninas. Elogiamos a virgindade delas, mas não a dos meninos. Ensinamos as meninas a sentir vergonha…. elas já nascem culpadas. Elas crescem e se transformam em mulheres que não podem externar seus desejos.”

O casamento pode ser bom, uma fonte de felicidade, amor e apoio mútuo. Mas por que ensinamos as meninas a aspirar o casamento, mas não fazemos o mesmo com os meninos?”

É tanto trecho interessante que colocam a perspectiva masculina do nosso mundo machista em evidência, e de forma tão simples, que é bem esclarecedor.

Como ela cita, “e se criássemos nossas crianças ressaltando seus talentos, e não seu gênero? E se focássemos em seus interesses, sem considerar gênero?” – basta pensar em um garoto que queira ser bailarino. Qual a primeira coisa que vem a nossa mente? E se a menina quiser ser motorista de ônibus? Confesso que para mim ficou até difícil escolher que profissão citar aqui, porque não tenho esse preconceito de que isso é coisa de menino e isso de menina, mas….. sei que o mundo machista está do meu lado, ao meu redor, o tempo todo, cobrando, criticando, julgando…. um horror!

Eu mesma tenho que desaprender diversas lições que recebi ao longo da minha vida e que percebi dentro da sociedade a qual estou inserida. Acho um saco quando me pego fazendo julgamentos, mas ainda os faço; por outro lado, me sinto em alguns assuntos, um pouquinho à frente do meu tempo, então podem me chamar de feminista? Com certeza!

Se ser feminista é querer ser respeitada por minha feminilidade, minhas escolhas, gostar de política, história, adorar um papo inteligente, uma conversa produtiva, gostar de sapatos e bolsas, gostar de variar o tom de batom e adorar receber elogios, sim sou feminista.

Assim como, por querer acabar com essa coisa de julgamento sexual feminino, porque o que mais ouço é – Ahhhh, os homens têm muito mais necessidade sexual do que as mulheres!!!…. volto a “frase” do meu amigo – Hellooooooooooooooooooooooooooooo!!!!; sim, sou feminista!

Assim como, querer mudar essa cultura caipira e enraizada de que eles podem qualquer coisa, enquanto nós temos que ficar em casa esperando uma ação deles, por que mulher nenhuma pode ter ação – mais uma vez – Helloooooooooooooooooooooooooooo! – sim, sou feminista!

Cultura é um objeto em transformação. São as pessoas que fazem a cultura. E essa cultura machista e retrógrada foi criada por nós, humanos. Portanto, meninas e meninos, hora de repensar valores e começar a transformar essa sociedade hipócrita e machista.

 Obrigada Chimamanda Hgozi Adichie! Faço de todas as suas palavras, minhas palavras!

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140. Rubaiyat

Omar Khayyan, 122p.

Omar Ibn Ibrahim El Khayyam nasceu em Nichapur, Pérsia, a atual República Islâmica do Irã, em 1040 e morreu nessa mesma cidade em 1120. Khayyam significa, em persa, fabricante de tendas e ele adotou esse nome em memória do pai que era fabricante de tendas; além de poeta, foi matemático e astrônomo.

rubayat

Para introduzir a obra, vale mencionar o que encontrei pesquisando por aí…

“Rubaiyat é o plural da palavra persa rubai, e quer dizer quadras, quartetos. No rubai, o primeiro, o segundo e o quarto versos são rimados, o terceiro é branco.” (Rubayat)

Além disso, eu nem tinha ideia, mas depois da Bíblia, este livro é o que teve mais edições em todo o Ocidente? Será?????

Bonitos versos do século XI. Sabedoria, sonho e sensibilidade que chegaram até nós após tantos e tantos anos.

” Pudéssemos com Deus conspirar, Bem-Querida,

Para que o Esquema hostil das Coisas desta Vida

Se fragmentasse para o plasmarmos então

Conforme desejasse o nosso Coração!”

139. As lições de Chico Xavier

Marcel Souto Maior, 96p.

Autor-jornalista que, como eu, apesar de não duvidar da fé, não tem fé consolidade e é marcado pelo defeito de “duvidar sempre”.

Autor de dois livros onde o tema espiritismo está envolvido, um deles é uma biografia de Chico Xavier, e nesta obra lida no desafio, ele fala sobre as próprias dificuldades, dúvidas e desafios em relação ao Chico.

Conta muitas passagens interessantes da história desta rica personagem, o Chico Xavier, um indivíduo que foi acusado de plágio, fraude, entre outros, mas que seguiu em seu propósito de divulgação da doutrina que acreditava, seguindo um plano mais alto. Quem não conhece parte da sua história? As Lições de Chico Xavier

Eu, mesmo não sendo espírita, ou seja lá o que for, não ter qualquer classificação religiosa, acredito que indivíduos como ele são, de alguma forma, muitos superiores a maioria de nós; afinal, quem escreveria mais de 400 livros, venderia mais de 20 milhões de exemplares e doaria a renda dos direitos autorais a instituições beneficentes? Eu, honestamente, ser ínfimo que sou, com certeza não!

E eu fui lendo e aprendendo e relembrando algumas passagens que conhecia e desconhecia.

Relembrei que “tudo passa”, sim, neste momento é muito bom ter isso em mente, afinal precisa passar; aprendi que sim, preciso urgentemente responder a questão “Qual a minha missão aqui”, porque é esta resposta que me levará adiante e me guiará, dando direção e sentido a minha vida, seja um sentido fútil ou não, é preciso responder a pergunta, e neste momento, eu não tenho essa resposta. Ruim e estranho esse vazio, essa vida sem objetivo e sem sentido.

A demonstração de que a culpa, a saudade, as dúvidas paralisam fica claro e que tudo isso causa dor, que é indescritível, mesmo porque cada um de nós sente de uma forma diferente a mesma situação; e, segundo Chico, ajudar o outro é o melhor a se fazer para ajudar a si próprio. Tão bonito isso, mas por mais que eu tenha inserida a lição em minha mente, meu coração não tá nem aí com o outro. Quero o MEU agora. Egoístaaaaaaaa!!!!!!

Aprendi lendo, ou relembrei lendo a obra, o quanto somos egoístas, mesquinhos, afinal se ele, a personagem principal, recebia um título, era considerado vaidoso; se dava entrevista, exibicionista; se recusava doações, mal-educado ou ingrato; aff….. dá para perceber a contradição de tudo isso?

Mas, um bilhete de uma viva para o Chico: ainda não tenho evolução suficiente para crer que “o sofrimento seja o caminho mais curto para resgatar dívidas passadas, aprender, evoluir…”. Não. Dívidas passadas? Não.Seria um alento pensar que hoje sofro por erros que ocorreram em outras vidas. Tão fácil; mas, essa coisa de “karma” não consegue se enraizar em mim. Acredito que nesta vida você fez? Então nesta mesma vida você paga e que assim, o ciclo de energia que move o Universo, continua girando.

Livro muito interessante!

138. Gratidão

Oliver Sacks, 61p.

não penso na velhice como uma fase cada vez mais penosa que é preciso suportar e levar o melhor possível, mas um período de liberdade e tempo descomprometido, sem as infundadas urgências de outrora, livre para explorar o que eu quiser e para amarrar os pensamentos e sentimentos de toda uma vida.

gratidao_sacksUm médico neurologista bem famoso, escritor, que está morrendo com mais de 80 anos devido as metástases cancerígenas no fígado, divide parte de suas memórias em quatro capítulos, que foram publicados no “The New York Times”.

Me encantei com o fascínio dele pela tabela periódica e como ele associa as idades aos elementos e características deles.

Gostei do modo como ele assumiu o medo de morrer, mas também como ele gratifica as oportunidades da própria vida, E, aprendi ontem com um colega de trabalho, o quão grande é o significado da gratidão, mas não tenho como explicar, é preciso sentir com o coração.

Gostei muito do autor, da lucidez, dos pontos de vista, e fiquei curiosa por conhecer mais obras dele.

Gratidão a todos vocês!

137. Felicidade, amor e amizade

Antoine de Saitn-Exupèry, 94p.

Eu queria incluir algo deste autor, afinal ele escreveu “O pequeno príncipe”, mas eu não queria reler o principezinho…. não era hora dele, de novo (rsrsrs).

Aí, esta antologia caiu em minhas mãos. Um presente para os fãs do autor… então, voilà!

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Tem citações de todos os seus livros, que por sinal eu li talvez 90% deles.

É belo, com frases lindinhas.

Só alguns exemplos para nosso deleite.

“Aqueles que são diferentes de mim não me prejudicam, muito pelo contrário, eles me enriquecem. Nossa unidade se fundamenta em algo mais elevado do que nós mesmos – no ser humano… Pois ninguém quer ouvir seu próprio eco nem encontrar a própria imagem em um espelho.” (Piloto de guerra)

Se não tem esperanças de que o seu amor seja correspondido, é melhor se calar. Ele pode se conservar, chama ardente, dentro de você, em silêncio.” (Cidadela)

“É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar. A autoridade se baseia antes de tudo na razão.” (O Pequeno Príncipe)

O que nos salva é dar um passo. Mais um passo. É sempre o mesmo passo que se recomeça…” (Terra dos homens)

“O essencial da vela não é a cera que deixa suas marcas, mas sim a luz que ela liberta.” (Cidadela)

“Até as nossas misérias fazem parte de nossas riquezas.” (Vôo noturno)

É sempre no meio, no epicentro de nossos problemas que encontramos a serenidade.” (Escritos de guerra)

136. Lições de amor e tolerância

Jane e Mimi Noland, 73p.

Livreto cheio de encontros entre ursos e humanos, com pequenas histórias baseadas no comportamento dos ursos e também nesses encontros com os humanos.

lições de amor e tolerância

Cheio de ilustrações, as autoras demonstram como a sabedoria silvestre pode ser aplicada nas situações práticas da vida.

Aborda aceitação, segurança, refúgio, apuros, valores, crescimento, proteção, obediência, família, compartilhamento, recolhimento, introspecção, descanso, perspectivas, e tantos outros assuntos que estão embutidos em nosso cotidiano.

Com carinho podemos transformar muitas historinhas em aprendizado!

“Antes de correr riscos, seja realista.”

Aprenda o valor de ser silencioso.”

“O mel mais doce nem sempre está na árvore mais alta.”

“Não despreze as pequenas coisas.”

 

 

Reflexões III: o terceiro 1/4, ou seja 3/4…

Comecei a saga da viagem de férias lendo um conto afegão enquanto esperava a aeronave para a primeira fase, no aeroporto de Guarulhos.

Ao longo dos dias e término das leituras, fui doando os exemplares terminados, portanto, nada de foto completa dos 3/4.

Por mais que eu tentasse adiantar a leitura para ganhar tempo nas férias, não consegui muito, mas criei coragem e coloquei exemplares na mala, na bolsa, e nas mãos e até ouvi que eu era uma “idiota” por carregar tanto peso comigo. Nem comentei, só ri, afinal a pessoa que mencionou isso não tinha a menor noção do desafio e eu não estava à fim de colocá-la à par da minha vida, então, preferi passar por “idiota” mesmo.

Conheci lugares maravilhosos, vivi situações inusitadas, ri, chorei e me permiti viver uma aventura sentimental que eu nunca viveria se não fosse pelos últimos acontecimentos, e nela resolvi deixar a minha personalidade de lado e encarei. Gostei? Hummmmmm….. não vou filosofar sobre isso com vocês – rsrsrsrs.

De qualquer forma, não tenho como mensurar o que vivi nos 30 dias em que estive viajando.

Pela primeira vez em tanto tempo, alguns dias antes das férias ainda não sabia para onde ir, qual rumo tomar, minha cabeça estava perdida e meus sentimentos eram pura dor. Sai pelo mundo com um esboço do que ver e fazer.

Pousei na Turquia chorando, pois meu coração carregava muita dor, mas os dias foram passando e eu fui me permitindo viver muita coisa boa: andei, conheci, chorei, conversei, refleti, “terapizei”, sorri, tantos verbos podem ser usados aqui….

Em Istambul caminhei por ruelas feudais e entrei em locais milenares. Vi a correria dos bazares e me senti ao lado do Aladin descobrindo 1001 noites… segui o roteiro e escapei para Pamukkale, onde o coração começou a escapar do meu controle e, acima de tudo, vivi Hierápolis e comecei a descobrir que ainda sou uma mulher que pode ser interessante. Tive que chorar… de emoção e de alegria.

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Perdida entre voos

Com o coração mais leve e a mente mais tranquila, segui o roteiro e voei para Kuala Lumpur. Dias de calor. Mais uma estrelinha no mapa.

E os livros? Sim…. seguia na batalha. Os aviões eram meus cúmplices e eu li vorazmente em muitas das etapas em que neles estive.

Também acabei aproveitando Pamukkale para ler um pouquinho (enquanto tive tempo – rs), e em Kuala passei uma tarde descansando no hotel diante dos meus livros. Diversão mais do que garantida… sem contar esperar a noite chegar na praça em frente as torres Petronas com um livro na mão, obviamente. O desafio seguia e eu estava dando conta!

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Kuala Lumpur e Torres Petronas

Aí veio a surpresa. Singapura! E com ela chegou a amiga. Tanto riso, tanto choro, tanta terapia. Foram tantos momentos sensacionais que nem o fato de pagar quase R$ 100,00 em uma taça de vinho (what?!?!?) tirou o encanto do passeio!

Aqui os livros ficaram um pouquinho abandonados, mas só um pouquinho. Era tanto bate papo e andanças que eu não tinha forças para chegar no hotel e ainda encarar as letrinhas!!!

Veio a “cereja do bolo”, o Camboja. Só de lembrar quero chorar. Aí penso: “Vixi, quanto choro….”; mas, de novo, felicidade! Alegria de realizar um sonho. E quem não ficaria feliz de realizar um sonho? E ainda tive a companhia de uma amiga especial com quem enfrentei as atrocidades de Pol Pot, as aranhas no espeto (eu heim?!?!?!), o inferninho da Pub Street, entrar no meio de mercado de rua (ainda te mato minha amiga) e tomar draft Phnom Phen todos os dias.

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Templos em Siem Reap

Mas o Camboja acabou, a amiga retornou a sua família e eu mudei o roteiro. Pulei Bangkok, onde só cruzei a cidade para trocar de aeroporto e cheguei a Beijing, onde tive uma grande recepção. Pela terceira vez na China, não tirei muitas fotos e tive tempo de colocar um pouquinho da leitura em dia enquanto descansava no hotel.

E os livros?

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Ainda à bordo do roteiro novo, veio a inesperada e belíssima Berlim. Surpresa. Encanto. A cidade é linda e ainda, de quebra, estar dentro da história e de quebra ainda estar feliz…. puxa, o que mais eu poderia desejar? A despedida, claro, é sempre de deixar o coração pequeno, mas fazia parte do acordo!!! E o que ficou? Lembranças…. algumas ótimas, outras nem tanto…. outras que eu, sinceramente, quero esquecer. Mas, me permiti e vivi o que precisava viver naquele momento!

Após toda a volta, cheguei no destino prioritário para a consolidação de uma amizade de infância e outra recepção calorosa – Holanda. E veio a amizade, as terapias, os risos, os passeios e o colorido das flores. Nossa….. o colorido das flores!

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A cumplicidade das aeronaves

Nesse ínterim vieram os livros também. Sem contar o e-reader, voltava apenas um na minha mão para ser lido no avião de retorno.

Bom hora de ir embora e eu choro. Ai, ki chatice Renata! Chorando de novo?!?!?! Pessoal, paciência, né? Eu estava chorando porque estava retornando com o coração mais leve e achava que com a mente pronta e as baterias recarregadas para enfrentar meus fantasmas.

Eu chorava por me sentir com forças para enfrentar o novo que estava me assustando. Chorava por ter certeza que sim, sempre, é preciso dar tempo ao tempo e respeitar o meu tempo. Chorava por ter tido a paciência de esperar esse meu tempo e por ter tido muitos dos amigos por perto ou longe, mesmo sem saber, ou sem querer, me ajudando a reencontrar o meu tênue equilíbrio.

Eu estava chorando porque estava feliz!!!

Aí, eu pousei no Brasil…… aí eu rumei para casa…. aí a bomba veio….. e aí, eu chorei de novo….. me desculpem….. chorei…. mas, essa “terapia” fica para a próxima reflexão!

Vamos aos títulos:

  1. Cachorros encrenqueiros se divertem mais – John Grogan
  2. As avós – Doris Lessing
  3. A biblioteca mágica de Bibbi Bokken – Jostein Gaarder & Klaus Hagerup
  4. O retrato – Nicolai Gogol
  5. A sociedade literária e a torta de casca de batata – Mary Ann Shaffer & Annie Barrows
  6. Um pai de cinema – Antonio Skármeta
  7. Cachorro velho – Teresa Cárdenas
  8. A mala de Hana: uma história real – Karen Levine
  9. Lívia e o cemitério africano – Alberto Martins
  10. O fim do alfabeto – C S Richardson
  11. Por amor à Marie – Régine Deforges
  12. O conto da ilha desconhecida – José Saramago
  13. Uma semana no aeroporto – Alain de Botton
  14. Destinatário desconhecido – Kathrine KressmannOLYMPUS DIGITAL CAMERA
  15. O violino de Auschwitz – Maria Angels Anglada
  16. Dicionário de nomes próprios – Amélie Nothomb
  17. Uma palavra de verdade – Alexandre Solzhenitsyn
  18. O homem que escreve no céu – José Roberto de Alencar
  19. A descoberta do Novo Mundo – Mary del Priore
  20. Confissões de um turista profissional – Kiko Nogueira
  21. Cinco histórias do bruxo do Cosme Velho – Machado de Assis
  22. Salão de beleza – Mario Bellatin
  23. Confidência africana – Roger Martin du Gard
  24. A invenção do Brasil – Jorge Furtado e Guel Arraes
  25. Sua majestade, o deserto – Magda Raupp & Dione Pasquot
  26. Juventude – Joseph Conrad
  27. A febre das tulipas – Deborah Moggach
  28. Nosso GG em Havana – Pedro Juan Gutiérrez
  29. Terra e cinzas: um conto afegão – Atiq Rahimi
  30. Eu é um outro – Hermes Bernardi Jr.
  31. A festa da insignificância – Milan Kundera
  32. As esquinas do tempo – Rosa Lobato de Faria20160403_123025
  33. Cisão – Lívia Sganzerla Jappe
  34. O médico nativo – A.J.Cronin
  35. As duas solteironas – Tommaso Landolfi
  36. Doidão – José Mauro de Vasconcellos
  37. Diva – José de Alencar
  38. Nihonjin- Oscar Nakasato
  39. Louca por homens – Cláudia Tajes
  40. Fim – Fernanda Torres
  41. O último mamífero do Martinelli – Marcos Rey
  42. O verão de Chibo – Vanessa Barbara e Emilio Fraia
  43. Claro como o dia – Eugene O´Kelly
  44. Os filhotes – Mario Vargas Llosa
  45. Rimbaud da Arábia – Alain Borer

135. Rimbaud da Árabia

Alain Borer, 85p.

Difícil escrever algo sobre esta obra, mas vamos tentar!

Muito foi escrito sobre Rimbaud. Suas andanças pela África foram seguidas por biógrafos, mas, na verdade, nada muito significativo foi descoberto, portanto ele tornou-se um mito, que cresceu.

O que se encontra é que começou a trabalhar com café na Etiópia, fez tráfico de armas e, talvez, de escravos. Visitou Alexandria e o Chipre.  Sua caminhada termina quando teve a perna amputada devido a um tumor no joelho.

Rimbaud da arábia

Aqui as aventuras do poeta pela África antes da sua morte no hospital de Marselha.  Sabe-se que ele permaneceu 11 anos na África e o que se sabe sobre isso é através das cartas que escreveu a sua família.

Nesta obra, o biógrafo de Rimbaud, Alain Borer, compõe textos da passagem do poeta pelo continente africano. Ele o admira. São textos rápidos, mas todo o conjunto de textos não desvenda muita coisa.

Leitura válida para quem é fã do poeta ou de literatura, uma vez que ele é significante para o tema.

Eu, como já mencionei, não o conhecia até ele aparecer neste desafio, já nem me lembro como, mas me surpreendi pela revolução que o jovem causou na forma de escrita e, como ele, quando mais velho, negou a própria escrita.

Para quem gosta de literatura, conhecer Rimbaud faz parte do processo!

134.Os filhotes

Mario Vargas Llosa, 91p.

O autor é um calo no meu ego, porque já tentei algumas obras dele e não consegui seguir… mas estou me empenhando bastante e, esta foi de uma só vez. Celebração!!!!! Sem contar que é mais um Prêmio Nobel para o desafio….uebaaaaa!!!!

OS_FILHOTES_1231941189BTexto escrito em 1967, quando ele já era um autor famoso, traz um tema cômico a princípio, mas que se revela trágico ao longo das páginas.

Na trama, um jovem é atacado por um cão que lhe arranca seu membro mais precioso (ops – já vi a cara dos “meninos” lendo esta parte), como toda fase de jovem, há crueldade e seus amigos lhe dão um apelido não muito carinhoso, ele passa a ser conhecido como Piroquinha. Nem é preciso dizer como se passa o crescimento deste jovem e o que pode lhe acontecer de amargura com a vida.

Entretanto, como sempre, para maiores detalhes vocês terão que ler Vargas Llosa como eu fiz!

O modo como a novela se desenrola é bem legal, porque apesar do tema profundo, o autor coloca agilidade nos parágrafos, páginas e em todo o movimento.

Na formatação não podemos notar diferença entre a fala do narrador e das personagens, mas não senti qualquer dificuldade na compreensão do texto.

Começamos bem Vargas Llosa! Rsrsrsrs

133. Claro como o dia

Eugene O´Kelly, 155p.

“Nunca é bom prolongar o adeus. Não é o estar junto que ele prolonga, mas a partida.” (Elizabeth Asquith Bibesco)

História real.

“O que está distante sessenta segundos, à sua maneira, é tão fugidio quanto o que está a sessenta anos de agora, sempre será.”

A personagem do livro é um alto executivo, de 53 anos, que descobre de um dia para o outro, que tem um câncer cerebral terminal e que viverá, mais ou menos, mais 100 dias.

Quando ele demonstra como fez sua lista de prioridades para despedida, me vi relembrando amizades, medos, decepções, brigas e tudo o que não tem o menor sentido em se carregar conosco.

claro como o dia

Quando ele nota que, ao longo dos seus dias, ele deveria ter priorizado quem lhe era importante, não imaginando poder retardar isso pois teria a eternidade pela frente, e que não é real para nenhum de nós, me vi reavaliando valores.

Despedidas, segundo o autor, lhe foram positivas, pois lhe permitiu lembrar todas as vidas que ele tocou. E aí eu me perguntei: será que, algum dia, consegui tocar, de algum modo positivo, a vida de alguém?

Ele categorizou em seis graus de importância os indivíduos que ele queria se despedir:

6. amigos que enriqueceram a vida dele e ele as deles;

5. amigos adquiridos na vida profissional;

4. amigos da vida toda;

3. parentes próximos;

2. filhos;

1 esposa.

Foi interessante ler como os valores do autor se alteraram, como momentos simples passaram a ser o que ele chamou de “momentos perfeitos”. Como a despedida através de um “até logo” foi gratificante, e não aquelas coisas de “sorte”, “que Deus te acompanhe”, “fé”, e etc.

O chato do livro é que, como ele ocupava a posição de alto executivo, tudo ele compara a tal, aos procedimentos e decisões que fez ou teria que fazer, e isso é um pouco maçante. Além disso, é chato o fato de ele falar a toda hora “quando eu era presidente de tal empresa….” e afins, vangloriando demais o seu próprio curriculum vitae, que nós já conhecemos no início do livro, também torna a leitura desinteressante. Talvez uma abordagem menos “eu sou o bom”, tornasse a leitura mais sensível.

Entretanto, o próprio autor não deseja piedade, então, eu posso deixá-lo feliz, porque em nenhum momento eu senti piedade, senti um homem preocupado em organizar o inevitável. Muitas vezes bem frio, mas entendi que cada um reage de modo distinto as diversas situações, e a reação dele está descrita no livro. Uma metodologia. E eu respeito.

Não me envolvi, não senti piedade, não senti nada. Li. Como uma história, um fato e tirei conclusões para melhorar os meus dias.