107. Uma palavra de verdade…

Alexander Solzhenitsyn, 76p.

Outro Prêmio Nobel dentro do desafio. Este, o de 1970.

Uma palavra de verdade

Sabe que comecei com a ideia dos Prêmios Nobel aqui por acaso, e já acreditando que não conseguiria chegar a marca que quero (12); mas, me surpreendi quando vi quantos já estão inseridos. Fico feliz. Mais um sinal de que não estou cumprindo uma obrigação e sim curtindo a obrigação!

Esse autor, um dos grandes discutidos se merecia ou não o Nobel, era russo (morreu em 2008), descreveu os gulags (sistema de campos de trabalhos forçados da antiga União Soviética) e foi expulso da União Soviética em 1974. Era nacionalista e queria restaurar a Rússia, mas não se enganem, ele julgava a democracia uma péssima forma de governo.

Essa obra lida, na verdade, é o discurso que fez ou faria na entrega do Nobel, celebração a qual ele não apareceu por medo de não conseguir retornar a seu País.

Ele aborda a importância da literatura na conscientização das pessoas e a importância do autor para isso.

São suas palavras:

A literatura transmite uma preciosa experiência condensada…. ela se torna a memória viva da nação.”

“… um escritor pode fazer muito dentro de sua própria sociedade, o que aliás é sua tarefa.”

Uma das suas obras famosas “Arquipélago Gulag” está aqui na estante, e eu vou encará-la em alguma oportunidade. Para este desafio não dá não, vamos ser realistas, mas seu discurso para o Nobel foi uma boa introdução para seu pensamento e sua escrita.

 

Anúncios

106. Dicionário de nomes próprios

Amélie Nothomb, 156p.

Hummmmm?!?!?! Tô em dúvida. Gostei, pero no mucho???? Não gostei, mas tem algo interessante???? Hummmm….. não sei. Me ajudem por favor?!!?!? Então mãos na massa e vão ler para dar a opinião. De verdade, tô falando sério.

Trama estranha que acaba sugerindo curiosidade. DICIONARIO_DE_NOMES_PROPRIOS_1247848959B

A protagonista da trama, uma menina, cujo nome já desperta curiosidade: Plectrude. Trama com início em um série de infortúnios, que torna-se um suspense, depois um vai e vem de informações que se entrelaçam e que vão dando continuidade ao infortúnio inicial e desenvolvem uma trama suspense psicológica que eu ficava pensando, essa menina é louca desvairada ou o quê? Engraçado!

É um livro para gente grande. Não, não tem passagens picantes, nada disso; mas, tem passagens de reflexões sobre a morte. Mas não, não é algo macabro e tenebroso. Entendem a confusão agora? Rsrsrsrs…..

Eu o escolheria de novo? Não. Não me cativou, não pela trama, mas pela tentativa de uso de palavras “difíceis” no meio do contexto, o que me perturba e faz com que pareça coisa de amador. Talvez seja a tradução, não sei…..

E quem está se tornando sem sentido sou eu….. então, me ajudem!

105. O violino de Auschwitz

Maria Àngels Anglada, 127p.

Sim, costumo e gosto de ler sobre o holocausto, e já mencionei isso mais de uma vez aqui. E, lá veio mais um….. lindo por sinal!

A autora, eu não conhecia, foi romancista e poeta (faleceu em 1999) catalã que ganhou vários prêmios. Entretanto, o título eu já havia visto. O “meu” exemplar, eu acabei encontrando em um sebo. Vai para a cestinha??? Claro!!!! Foi devorado???? Certeza!!!!

O_VIOLINO_DE_AUSCHWITZ_1252442920BUm luthier, preso em um campo de concentração, é obrigado a construir um violino nos modelos dos Stradivarius (para rivalizar com ele), a “pedido” do alto comandante (um pouquinho sádico, vocês devem imaginar), sem saber o que lhe esperaria no final. O protagonista, Daniel,  usa a oportunidade para uma higiene mental (se é que isso poderia ser possível em um campo) e dedica-se de corpo e alma a empreitada. Mais tarde, descobre que tudo ocorreu devido a uma aposta feita sobre a sua habilidade entre o comandante e o médico (outro só um pouquinho sádico) do campo. Se conseguisse construir um violino extraordinário, viveria; senão, seria entregue ao médico do campo para experiências. Que bom saber disso, não? Deve ser acalentador!!!!!! Affffff!!

O mesmo violino acaba nas mãos da sua filha, que é violinista, e toda a trama é contada por ela a um outro violinista que em um concerto se encanta com a sonoridade do instrumento.

Cada capítulo tem início com um documento administrativo real de algum campo de concentração, demonstrando o que significava ser um humano que estava nele: número.

Para saber o que aconteceu ao nosso protagonista, encarem a obra. Vale a pena. Não é uma obra que demonstre claramente toda a barbárie, pois a autora, poetisa, consegue escrever de forma branda, mesmo estando o protagonista inserido no mundo dos horrores!

104. Destinatário desconhecido

Kathrine Kressmann, 83p.

Um judeu e um alemão são amigos e sócios na Califórnia em uma galeria de arte, quando em 1932, o alemão retorna à Munique quando, inicia-se uma afetuosa e respeitosa correspondência entre eles. A Alemanha está convulsionando, com Hitler assumindo o poder e dando início à perseguição aos judeus, e então a correspondência entre eles torna-se indesejada por parte do alemão que passou a ser hitlerista.

Para saber o desfecho da história, só posso dizer uma coisa: Boa leitura!!!!!

destinatarioObra lançada em 1938 nos EUA, quando a autora queria escrever sobre o que os nazistas estavam fazendo; assim, surgiu esta obra, uma acusação ficcional contra o nazismo.

Na Europa tornou-se um livro da lista dos proibidos pelo Terceiro Reich, tornando-se uma obra ignorada no continente europeu pelos próximos sessenta anos, tornando-se best-seller, apenas em 1999, na França, sendo então traduzida para vários idiomas.

Nos EUA, caiu no esquecimento após a guerra e só foi relançada em 1995 em comemoração aos 50 anos da libertação dos campos de concentração, quando foi bem recebida pelo público norte-americano.

Trata-se de uma novela epistolar atemporal que nos mostra o envolvimento da população alemã pela ideologista nazista, por sua verdadeira lavagem cerebral, mostrando como os indivíduos conseguiam esquecer seus próprios valores.

Particularmente não acuso a comunidade alemã de nada, imagino apenas a dificuladade e as dúvidas, a falta de informações e as informações alteradas que todos recebiam na época. Um emaranhado de fatos contraditórios. Imagino que a população que era questionadora e não-manipulável estava entre a cruz e a espada. Para eles seria a própria vida e a de sua família ou a ajuda a outros. Tempos muito difíceis, e nós nunca saberemos como reagiríamos se estivéssemos no meio da sociedade da época.

Foi uma triste fase da história que serve até hoje para nos ensinar o que é errado, o quanto é importante a crítica, o questionamento quando algo imposto vai contra os nossos valores e princípios.

Uma leitura rápida e muito interessante!

 

103. Uma semana no aeroporto

Alain de Botton, 127p.

Sempre que compro Alain de Botton caio com muita sede na leitura e logo me vejo na metade da obra, mas, aos poucos a empolgação vai passando e eu me vejo lendo o restante da obra em semanas, mas sempre termino.

Desta vez, me empolguei com o título. Obra que se passa no AEROPORTO, local de muita alegria, sonhos, dor, fantasia, encontros e desencontros, ilusões e realidades, onde pessoas de literalmente todas as tribos e nações se encontram, se cruzam.

E, desta vez, não houve pausa. A prosa me envolveu e eu fui viajando com o autor-filósofo. Até o fim. De uma só vez!

uma semana no aeroportoO autor passou uma semana no aeroporto de Heathrow, com uma mesa de trabalho no terminal de embarque, a convite da empresa que administra o aeroporto, descrevendo o que via. Teve permissão para transitar livremente, e em uma prosa envolvente, descreve cenas que são esquecidas logo após a próxima decolagem.

Diversas passagens interessantes. Em uma delas o autor nos descreve tão bem:

…temos raiva porque somos seres….pouquíssimos preparados para as endêmicas frustrações da existência”

Ou seja, nenhum de nós quer ouvir “não” e, no caso da passagem do livro, nem quando há regras claras a serem cumpridas (que você assinou e “leu” ao comprar um tkt aéreo) e nem na presença de um funcionário cortês e educado que trata da situação, deixamos de ser um bando de babacas que não podemos ser contrariados.

Gostei também quando ele menciona que sua mesa, em alguns momentos, parecia um confessionário, onde pessoas contavam suas histórias. É tão mais fácil contar nossas lamúrias à estranhos. Uma terapia às avessas.

Em outra passagem, o autor pergunta aos reverendos do aeroporto qual seria a maneira mais produtiva de um viajante usar seus últimos momentos antes de entrar na aeronave e decolar. O reverendo mais velho logo disse que a pessoa deveria consagrar seu pensamento a Deus. Mas, vem a pergunta: – E se a pessoa não acredita em Deus? – Aí veio a resposta do reverendo mais novo e que eu adorei:

Pensar sobre a morte deve nos levar para o que mais importa em nossa vida: deveria nos dar coragem para seguir o estilo de vida que valorizamos em nosso coração.”

Nos faz refletir, não? Em quantos momentos nos apegamos a coisas tolas e sentimentos mesquinhos quando a vida é apenas uma passagem que pode terminar em um segundo?

Foi uma leitura bem gostosa. Uma avaliação de um local muito frequentado e pouco avaliado filosoficamente. Local onde se inicia boa parte dos meus sonhos. Local de trabalho. Local onde diariamente podemos notar histórias. Local de ruídos, gente, máquinas, turbulências e calmarias, de simples funcionários a poderosos executivos e celebridades. Passagem eclética das formas humanas.

Que sigam suas histórias! Que sigam os inícios de sonhos! Que venham as realizações!

102. O conto da ilha desconhecida

José Saramago, 62p.

O_CONTO_DA_ILHA_DESCONHECIDA__1247345350B

… também é deste modo que o destino costuma comportar-se connosco, já está mesmo atrás de nós, já estendeu a mão para tocar-nos o ombro, e nós ainda vamos a murmurar, acabou-se, não há mais que ver, é tudo igual.”

Desde o início do desafio eu estava paquerando este conto porque queria incluir esta obra, especificamente, do Saramago. Por que? Sinceramente não sei. Teimosia talvez. Só sei que queria e, eu, como sou, fiquei insistindo na busca.

Encontrei? Sim… muitas vezes, mas em todas elas, fosse em livraria, fosse em sebo, o valor estava acima do que eu poderia dispor, então fui, aos poucos, deixando-a de lado, e… SURPRESA. Lá vem o destino!

Estava no “Espaço Troca Livros de São Bernardo do Campo”, já de saída, com as obras escolhidas, quando, em outra mesa estava o “livrinho” à minha espera. Tinha acabado de entrar; nem carimbo tinha ainda! Pulei nele e o abracei. Não larguei e foi para a pilha! Oba! Ai, além de adquirir o “livrinho” que eu queria, de quebra o autor é Prêmio Nobel?!?! Quanta felicidade!!!

Saramago é um gênio, que instituiu nova forma de escrita, com poucos parágrafos e reduzida pontuação.

A história conta o desejo de um barco por um homem que quer sair em busca de uma ilha desconhecida, e para tal empreendimento, solicita a ajuda do rei, que alega que todas as ilhas já haviam sido descobertas. Mas o homem insiste e consegue convencer o rei. Então, sai em busca da tripulação, mas só consegue uma pessoa, uma mulher, mas ele não se sente derrotado, e sai em busca da ilha.

Em poucas palavras podemos perceber muitas reflexões, caso não queiramos apenas passar pela obra. Burocracia, egoísmo, autoconhecimento, capacidades humanas… metáforas. Interpretações. Personagens sem nomes próprios que podemos imaginar ser qualquer um de nós.

Imaginei a ilha como o autoconhecimento, e o mar como o obstáculo e os desafios para encontrá-lo; a dificuldade de encontrar tripulação como a necessidade de perseverança diante das dificuldades que temos que enfrentar quando em busca dos nossos objetivos ou dos nossos problemas, mas que sempre aparece uma mão amiga para nos ajudar.

“… se não sais de ti, não chegas a saber quem és…” (p.40)

Com esta frase, entendi que preciso me afastar de mim, muitas vezes, para compreender o que estou passando e entender o meu interior, para que eu possa me compreender melhor e, desta forma, reagir de forma positiva aos diversos acontecimentos da minha vida.

Já passei pela sensação de outros leitores de: “Ai, ai, ai… vou ler um autor como esse e não entender nada, não entenderei as metáforas”… e quer saber o que eu acho? Bobagem! O que importa é: você se divertiu? Então, você atingiu o objetivo! Encare. Seja Saramago, seja Vargas Llosa, sejam os russos, sei lá… qualquer um que seja um desafio à você e divirta-se!

101. Por amor à Marie

Régine Deforges, 135p.

A autora, renomada por ter sido a primeira mulher a dirigir uma editora na França e se especializar na publicação de livros eróticos, também ficou muito famosa pela trilogia, que também tenho em casa, “A bicicleta azul” (que eu ainda não li).

Esta obra lida, é OK. Seria um tema escandaloso para a época em que se passa o romance (1903 a 1905), mas….vou confessar: essa obra me deu uma preguiça!!!Por amor a Marie

…. sim…. preguiça. Preguiça de ficar lendo aquelas palavras de paixão desenfreada tão juvenis!

Preguiça de acompanhar um romance do tipo histérico!

Preguiça de chatice!

Preguiça. Simples assim; mas segui o rumo e terminei a leitura.

Para terem ideia do tema: correspondência entre duas mulheres casadas que se apaixonam. Segundo a autora, foi inspirado em fatos reais, quando ela encontrou alguns postais que as protagonistas trocaram em um sebo em algum vilarejo ao redor de Malagar.

Já li outras obras da autora, mas confesso que após esta, fiquei até em dúvida se lerei a famosa trilogia que está na estante ou se vou passá-la adiante.

100. O fim do alfabeto

C.S. Richardson, 166p.

O tema central: um homem é diagnosticado com uma enfermidade que o levará a óbito em 30 dias. Em uma atitude inesperada, ele pega sua esposa e decide passar por diversas cidades que fizeram parte da vida dele, seguindo as letras do alfabeto. alfabeto

Uma jornada que vai revelando passado e presente. Dúvidas e sentimentos. A esposa se vê sem seu alicerce de um momento a outro e então vem aquele pensamento: o que farei? Pois é. Reflexões que podem ser inseridas em nossa vida, por diversas situações e causas. A literatura sempre nos obrigando a pensar e refletir. Muito bom isso, né?

A linguagem é simples, mas a narrativa não foi muito simples. É preciso atenção. Não tem muitas descrições e isso pode decepcionar aqueles que precisam delas para se sentirem dentro da história.

É romance de estréia do autor que é designer de livros. Engraçado que, por mais que eu tenha passado minha vida com livros me envolvendo, nunca havia pensado que havia tal profissão. E agora, claro, me parece óbvio que ela exista!

99. Lívia e o cemitério africano

Alberto Martins, 155p.

O mais legal, em minha opinião, nesta obra, foi o fato da trama se passar em locais que conheço como São Paulo e suas estradas, e a Baixada Santista, principalmente Santos. Eu podia imaginar as cenas em cada palavra que ele usava para descrever situações que ocorriam em certas partes das cidades; além disso, também aprendi um pouco mais sobre a história de alguns locais e adorei tudo isso! livia1

 Na trama, cada personagem vive uma espécie de drama, seja a perda da lucidez, seja uma doença degenerativa, seja a insatisfação com o trabalho, seja uma fora da lei, mas cada qual tem seu papel de forma bem intrínseca no contexto. O narrador, personagem-principal, tenta reconstruir sua vida através do que resta da memória da mãe, do convívio inesperado com o sobrinho e assim vamos desvendando o que ele quer descobrir/filosofar.

Sinceramente quando escolhi a obra para o desafio, nem sei porquê o fiz, mas me surpreendi. A leitura flui de forma bem gostosa, com uma escrita simples, mas com diversas passagens interessantes, e como eu escrevi acima, ainda consegui “viajar” nas histórias e passeios pelos bairros paulistas e santistas.

Foi bom!

98. A mala de Hana: uma história real

Karen Levine, 112p.

Outra vez lá venho eu com história real…. definitivamente AMO!!!! E mais uma vez algo assombroso do ser-humano: o holocausto.

a mala de hanaNeste caso, um livro infanto-juvenil com o objetivo de ser didático e demonstrar aos adolescentes o que foi o holocausto.

Enquanto o lia tinha a impressão de já o ter lido antes, mas como à partir dele também surgiu um documentário, estou certa de que o assisti em alguma tarde, perdida no sofá.

São capítulos entre a atual República Tcheca, o Japão e o Canadá. Na verdade, em um pequeno museu japonês, criado com a intenção de ensinar aos jovens sobre o holocausto, surge uma mala com o nome de Hana Brady, mala esta que havia pertencido a uma criança judia na época do holocausto.

Devido as constantes perguntas e curiosidades dos jovens sobre aquele objeto, a curadora do museu, Fumiko Ishioka, começa uma peregrinação para saber algo mais sobre a sua antiga dona, e com isso, é obrigada a retornar em 70 anos.

A escrita é voltada para o público mais jovem, portanto é preciso paciência e sim encarar o que vale a pena, a história em si. Na verdade, as histórias, pois tanto a personagem título como as pessoas que buscam algo mais sobre ela merecem destaque.

O relato é bonito. O interesse dos japoneses em conhecer a história é muito interessante. O auxílio daqueles envolvidos é de suma importância. E com todos os nós sendo desatados, Hana e sua história vão sendo descobertas.